Tens-te lembrado
com mais frequência dele?
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Sim, todas as vezes
em que fecho os olhos.
Esta é uma má época para mim. Fica meio leitão por comer na mesa de consoada. Espero que ainda te lembres que introduzimos o bicho, para mimar a tua gula. Já não há ninguém a perguntar, ainda no dia 23, se já podemos abrir os presentes. Já é menos um macaco, como dirias, na varanda, a confraternizar ou a fazer equipas para mais uma partidinha de poker de dados. Não se ouve o "C'um canário" nem fazes de Pai Natal. Já não te ouço pedir-me, matreiramente, de cinco em cinco minutos, para te ir encher a taça com mousse de chocolate. Na altura em que partiste, eu ainda não tomava café mas, se fosse hoje, já me levavas contigo para as tuas saidinhas de rato, onde de repente alguém perguntava Olhem lá alguém viu o Walker Daddy? Oh, até parece que não sabes como é, de certeza que deve ter ido ao cafézito.
Achas que agora alguém me deixa dormir até à hora de almoço no dia 25? Já não me dás um beijo, me aconchegas o cobertor, fechas a porta do quarto e quando algum dos pequenitos (hoje já homenzinhos) perguntava por mim, dizias que estava a descansar, que agora não me podiam ir acordar-me. Sim, eu ouvia-te sempre. Já sou só eu a fazer os mais piralhos gritar de susto, com aquelas gargalhadas nervosas de excitação, quando brinco com eles. Imito-te tão bem que, por vezes, chegam a comentar Saiste mesmo ao Walker Daddy! Se vocês os dois não nascessem, tinham de ser inventados!
Olha, posto isto, espero que tenhas a consciência pesada por não meteres os pés por cá, passado tanto tempo. Por isso, mete aí uma cunha ao teu compadre São Pedro (compadre sim, porque como tu és já o deves ter desencaminhado para o cafézinho) para te dar uma folga, de forma a vires matar saudades. Eras a melhor das prendas de Natal.
C'um canário, fazes-me falta...
Fazes cá falta a todos nós.
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