Espírito Natalício

 

Tens-te lembrado 
com mais frequência dele?

*
 
Sim, todas as vezes 
em que fecho os olhos.




Esta é uma má época para mim. Fica meio leitão por comer na mesa de consoada. Espero que ainda te lembres que introduzimos o bicho, para mimar a tua gula. Já não há ninguém a perguntar, ainda no dia 23, se já podemos abrir os presentes. Já é menos um macaco, como dirias, na varanda, a confraternizar ou a fazer equipas para mais uma partidinha de poker de dados. Não se ouve o "C'um canário" nem fazes de Pai Natal. Já não te ouço pedir-me, matreiramente, de cinco em cinco minutos, para te ir encher a taça com mousse de chocolate. Na altura em que partiste, eu ainda não tomava café mas, se fosse hoje, já me levavas contigo para as tuas saidinhas de rato, onde de repente alguém perguntava Olhem lá alguém viu o Walker Daddy? Oh, até parece que não sabes como é, de certeza que deve ter ido ao cafézito.

Achas que agora alguém me deixa dormir até à hora de almoço no dia 25? Já não me dás um beijo, me aconchegas o cobertor, fechas a porta do quarto e quando algum dos pequenitos (hoje já homenzinhos) perguntava por mim,  dizias que estava a descansar, que agora não me podiam ir acordar-me. Sim, eu ouvia-te sempre. Já sou só eu a fazer os mais piralhos gritar de susto, com aquelas gargalhadas nervosas de excitação, quando brinco com eles. Imito-te tão bem que, por vezes, chegam a comentar Saiste mesmo ao Walker Daddy! Se vocês os dois não nascessem, tinham de ser inventados! 

Olha, posto isto, espero que tenhas a consciência pesada por não meteres os pés por cá, passado tanto tempo. Por isso, mete aí uma cunha ao teu compadre São Pedro (compadre sim, porque como tu és já o deves ter desencaminhado para o cafézinho) para te dar uma folga, de forma a vires matar saudades. Eras a melhor das prendas de Natal.

 

C'um canário, fazes-me falta... 
Fazes cá falta a todos nós. 
 *

Falling in Love


Enquanto amantes somos capazes de proporcionar e receber momentos verdadeiramente inesquecíveis. Tornar cada instante único, viver com as mãos dadas à magia. Sentir borboletas na barriga e cócegas no coração. O  brilho dos olhos consegue reflectir o outro, o cheiro deseja-se profundamente e o paladar é constantemente presenteado com os mais ternos e inesquecíveis  beijos. Acabamos por crescer uns centímetros, de tanto sentimento dentro de nós. Se para gostar houvesse um limite, andava meio mundo com a carta apreendida. A paixão? Oh, a paixão não tem emenda! É o oásis num deserto, onde todos os sonhos acabam por ser possíveis de concretizar, onde se iludem os defeitos e virtudes. É aquela bebida predilecta na medida do exagero que nos embriaga e enlouquece. É o descompasso dos tempos numa melodia fenomenal. Por não ver muralhas, não trava guerras. Paixão? Talvez inexplicável mas, totalmente permissiva. Transforma a vida, massaja a alma, com se de uma reanimação cárdio-pulmonar se trata-se e que, de súbito, nos faz renascer.

"... and I think to myself what a wonderful world" Louis Armstrong
ver aqui! ;)


Walker escondida, com o rabo de fora!



Se existem coisas pelas quais sou perdidamente apaixonada são gatos. Dizem que quem não gosta de gatos é porque foi rato noutra vida logo, eu devo ter sido egípcia pois a minha admiração por felinos chega ao ponto de os idolatrar. Cada um com a sua panca, pode ser? Obrigada. Na verdade tenho um total de 10 cromossomas femininos e 2 masculinos dos mais mimalhos e lindos que conheço. Digo-vos, juntando os meus dois cromossomas ao barulho, não há combinação melhor no mundo, quiçá no Universo. Just Puuurrrrfect! ;) Já lá vão mais de duas semanas que não vejo as minhas tropas pois, o meu free-pass para as pseudo-férias de Natal, como carinhosamente chamo, só tem validade apartir de segunda à tarde. As saudades são mais que muitas. Quando os vir, nem imaginem, vai ser uma miadeiraaaa ;)

"Uma casa sem um gato e como um aquário sem um peixe." Jean-Louis Hue

Come As You Are


Ando a ser irresponsável com uma das partes fundamentais da minha vida, que influenciará bastante o meu futuro. Sinto-me constantemente na corda bamba, numa inércia que me faz, estupidamente, ficar estática. Neste aspecto da minha vida, tenho preferido deixar andar, camuflar, omitir a verdade que vejo, de dia a dia piorar, mesmo em frente aos meus olhos. Não, não vou a lado nenhum, bem sei. A continuar assim, vou olhar para trás e ver o tempo que perdi, arrependendo-me profundamente. Constatar que poderia avançar ainda que pegada a pegada, num esforço que podia ser feito e, me limito a não fazer, por mero comodismo. Não dependo só de mim, não posso continuar nesta situação. Como consigo ser tão egoísta? Como? Mais tarde ou mais cedo, vou ter que sair deste vício. Vou ter que me levantar sozinha e manter-me erguida o maior tempo possível. Tenho de encontrar o meu caminho, construí-lo. Sinto-me a ovelha negra de tão desparatada. Um pouco perdida, talvez. Hoje, tudo me parece uma gigante bola de neve. Há-de passar, a solução chegará ao seu tempo. Não posso adiar mais. Não posso, não posso. Mia culpa. Nem para mim mesma sou boa por vezes.

Tenho de parar de brincar ao faz-de-conta. A vida não tem espaço para rascunhos!


Come
as you are
as you were
as I want you to be
as a friend
as an old enemy
take your time
hurry up
 the choice is yours
don't be late
take a rest
as a friend
as an old memory.


"Come As You Are" Nirvana 
  




A Lifetime Moment



"If there's a crisis, you don't freeze, you move forward. 
You get the rest of us to move forward.
Because you've seen worse. 
You've survived worse, and you know we'll survive too. 
You say you're all dark and twisty. It's not a flaw, it's a strength. 
It makes you who you are." Derek Shepherd

Keys to Self Acceptance

Se há coisa que é realmente aterradora é aceitar, verdadeiramente, o que somos e como somos com todas as virtudes e os defeitos conjugados. É bem mais simples vermo-nos pelos olhos dos outros, não é? Aceitar criticas bem ou mal fundamentadas mas, que sejam feitas fora do nosso universo pessoal. O caminho mais fácil é dado pelos rótulos divinos ou infernais que nos colocam todos os dias. Estamos constantemente a ser observados, julgados por tantos olhos que, muitas vezes, nos passa ao lado que a maior, e também, a melhor imagem, do que na realidade somos, está bem guardada dentro de cada um. Não há ninguém que se conheça melhor que a própria pessoa. Uma análise, sincera e profunda, dá-nos grande parte do que precisamos saber acerca de nós próprios. Auto-reflexão, auto-controle, auto"-nomia" e nunca, auto-negligência.

“The greatest magnifying glasses in the world are a man's own eyes when they look upon his own person”  Alexander Pope





Com o Coração na Boca

O meu coração muitas vezes salta-me do peito, tão facilmente como quem dá uma expiração mais forçada. Dou muito de mim no amor, nas amizades, apesar de todas as mágoas ou desilusões que possa ter tido. Mesmo considerando que não vou conseguir voltar a amar com a mesma intensidade ou ter uma amizade das grandes e dignas novamente, sei que estas são palavras que o vento leva e não trás de volta.

Porque, ainda que magoada ou mesmo desiludida, o meu coração continuará a bater e entrará em taquicardia quando aparecer um nova paixão, uma amizade para a vida. Baterá tão pujante como das primeiras vezes, quererá voltar a dar-se como se não houvesse amanhã. Fazer-me-á sentir tudo o que há para sentir, uma vez mais. Outra vez mais.

O tempo não será o mesmo assim como a maturidade. O peso da responsabilidade aumenta a cada dia que passa. É costume vê-lo de mãos dadas comigo por esta altura. Contudo, a liberdade, esse sabor da liberdade em poder e querer ser feliz não faz nenhum coração parar, não me faz ficar sem ar.


“A book is a part of life, a manifestation of life, just as much as a tree or a horse or a star. It obeys its own rhythms, its own laws, whether it be a novel, a play, or a diary. The deep, hidden rhythm of life is always there / that of the pulse, the heart beat.”  Henry Miller

Conviver


Contemplo um céu de noite cerrada ao invés de um céu de final de tarde. Ando tão atarefada que só agora chego à conclusão que as noites estão mais longas, mais silenciosas, mais comedidas. Poucas são as estrelas que vejo, pois as nuvens carregam tanta àgua como teimosia e, mesmo ao sabor do vento, tendem a passar, uma e mais uma vez.

Para alguns, o frio serve de desculpa para não sair da cama ou mesmo para não sair de casa. Os quartos, a quatro paredes, formam um ninho de hibernação, que só descongelará quando lhe chegar o cheirinho a tempo primaveril. Já não se tomam cafés ou chás com a mesma regularidade das outras estações. Não gosto deste isolamento característico do Inverno, ainda por cima quando luto todos os dias para combater alguns pensamentos mais gélidos que pairam, como leves tempestades, no meu ninho. Quero aquecer a  minha alma, colocando a botija de àgua quente não nos pés mas, sim, no coração.

Sinto falta dos convívios nocturnos, mesmo com muita coisa para fazer, um "ir e vir" não faz mal a ninguém. A falta da rota dos cafés ou dos chás, passando pelos cariocas e terminando no chocolate quente tornou-se fundamental para mim. Ontem, não encontrei uma alma que quisesse ficar com o nariz vermelhinho, fazer fuminhos com a boca, dar dois dedos de conversa e beber algo quentinho. A minha vontade de arejar 10 minutos era maior que a de ficar em casa mergulhada na seriedade que implicam os estudos e saí. Ainda que sozinha, soube mesmo bem ;)



"Conviver é a melhor coisa do mundo" Buondi

Caminhas Comigo?

Só quero saber se as tuas pegadas algum dia estarão juntas às minhas. Se serão o espelho de quem já caminhou muito nesta vida. Se o formato gravado no chão será assim tão idêntico ao meu ou se será a diferença que nos fará únicos. Serão meras questões de medida. Talvez tragas alguns fantasmas, alguns medos que as façam tornar mais gigantes do que são na realidade, os teus esqueletos do armário. Sim, esses mesmo, vou querer conhecê-los um a um. Talvez as tuas pegadas também tenham uns enfeites, aqueles da imagem social, que todos temos a preservar. Saberei ver além disso, procurar-te. Quero ir mais longe, não me quero cingir a uma marca, quero ver como caminhas. Se te inclinas mais para a esquerda ou mais para a direita, se danças ou se os teus pés serão de chumbo. Quero conhecer essência de cada pegada. Desde a que é alegre, optimista e destemida até à mais chorona e remelosa de todas, aquela em que não te apetecia sair à rua, só estava bem enfiada debaixo dos cobertores num gélido dia de Inverno.

"Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na tua." Ana Carolina  

I Won't Dance!


Dois artistas contemporâneos de eleição ;)


Obrigada jezebel